Humildade
A humildade na liderança fortalece as relações de equipe, criando um ambiente seguro e inovador. Líderes humildes valorizam as ideias dos outros, fomentam a confiança e colaboram mais eficazmente, resultando em maior produtividade e criatividade.
Escrito por: Rode Ziembick
05/04/2024
Artigo escrito para a revista Você RH - edição 91 de abril 2024
Como a humildade na liderança pode impactar positivamente o ambiente de trabalho e o desempenho organizacional?
A liderança eficaz nas organizações modernas vai além de simplesmente dar ordens e tomar decisões. Em um cenário empresarial cada vez mais complexo e dinâmico, a humildade emerge como uma qualidade essencial para os líderes. Os organogramas são cada vez mais horizontais, com equipes multidisciplinares, compartilhando conhecimento e cocriando projetos. Profissionais apegados à sua imagem estão ficando sem espaço.
Líderes humildes estabelecem relações mais fortes com suas equipes. Ao saber que o líder falha, portanto, é humano, o liderado se sente à vontade para expor ideias novas, estimulando a inovação. O ambiente se torna seguro psicologicamente e há uma união de forças para atingimento de metas compartilhadas. O medo desaparece e floresce o respeito mútuo. Essa relação promove entregas mais rápidas e mais consistentes, pois o tempo e a energia que eram antes investidos em politicagem e defesas, agora é investido em produtividade e criatividade.
As organizações precisam entender, de uma vez por todas, que, se desejam prosperar, devem estar atentas à conexão entre líderes e liderados. Se não há conexão, algo precisa ser feito, que pode ser treinamento, apoio emocional ou mesmo alteração de estrutura…Algo precisa ser mudado.
A atenção à liderança deve existir desde a contratação até a contínua manutenção de um ambiente saudável para que as equipes sejam estimuladas a oferecer suas maiores potencialidades.
Ninguém trabalha bem com líderes arrogantes, violentos e narcisistas que usam e abusam do seu poder para mascarar sua incapacidade e fragilidade às custas do sofrimento e adoecimento das suas equipes.
Já é hora de substituir a obsoleta frase: "Manda quem pode e obedece quem tem juízo" por "Juntos construímos mais, melhor e mais rápido."
Um líder humilde pode ser visto pela sua equipe como um líder fraco e sem conhecimento?
Esse é um daqueles grandes mitos dos anos 80.
A humildade genuína convoca grande sofisticação psíquica, que é admirada e respeitada pela equipe. O líder humilde valoriza as contribuições da equipe, compartilha o crédito pelo sucesso e assume responsabilidade pelo fracasso junto com o time.
Essa parceria enriquece as relações e encoraja cada um a dar o seu melhor. Esse líder é admirado, respeitado e, acima de tudo, é alguém que os liderados podem confiar e contar.
Mas cuidado, existem muitos narcisistas vestidos com a roupa da humildade para ganhar popularidade. Saiba distinguir o joio do trigo.
Qual a diferença entre ser humilde ou ser inseguro e despreparado?
A humildade é o reconhecimento que dependemos do outro e a gratidão pela existência deste outro. É um estado de mente elevado, sofisticado, onde o indivíduo se percebe como um ser completo e incompleto ao mesmo tempo.
A insegurança provém do medo, da menos valia, da inobservância das suas próprias habilidades e riquezas internas e também do desamparo em não ter o outro para contar.
Um líder, ou mesmo um liderado, que não tenha autoconfiança, que não se reconheça como um indivíduo falho, que não saiba qual é de fato o seu lugar no mundo, terá mais dificuldade em atingir a humildade genuína.
É importante destacar a humildade genuína, digo isso porque encontramos muitos profissionais no mercado de trabalho com a falsa humildade, falsa vulnerabilidade que se desmonta ao primeiro sopro de contrariedade.
Ambientes tóxicos podem promover esse sentimento de insegurança mesmo nos profissionais mais experientes e capazes.
O que é de fato a humildade nas organizações, como podemos defini-lá?
A humildade se estabelece a partir do reconhecimento da relação de dependência.
Existe uma dependência mútua entre líderes e liderados, um depende do outro para que o trabalho seja construído. Essa base sólida de codependência fortalece a coesão da equipe e promove a colaboração.
Quando o líder e o liderado se afastam, acreditando que seus papéis são independentes, há uma ruptura no vínculo de dependência. E essa ruptura dificulta a confiança e o respeito mútuo.
As equipes de empresas que praticam o valor humildade de forma verdadeira, que trabalham em grupo, têm objetivos únicos e apontando seus esforços em direção ao mesmo alvo, aprendem juntos, integram novas informações e adaptam-se a mudanças rapidamente.
Ao contrário daquelas empresas onde a humildade é vista como fraqueza. Lá, encontramos pessoas em processo de defesa contínua e constantes conflitos. A comunicação não se estabelece, pois o medo é o imperativo das relações de uso.
O que um líder deveria fazer para se tornar mais humilde?
É preciso ter coragem para ser humilde.
Desenvolver humildade envolve a aceitação das contradições internas, reconhecendo que a mente humana é complexa e muitas vezes ambígua.
Esse reconhecimento pode levar a uma integração mais saudável das partes diversas do Eu.
Em alguns casos, a desconstrução do Narcisismo é fundamental, por meio do desinvestimento excessivo na própria imagem e na falta de consideração pelos outros. Se afastar da visão inflada do Eu e validar as experiências e perspectivas alheias é o início do crescimento interno e também profissional.
O processo de crescimento psicológico contínuo é necessário e urgente. O desenvolvimento da humildade pode ser considerado como parte desse processo, à medida que a pessoa se envolve em reflexão, autorreflexão e aceitação das mudanças ao longo do tempo.
Esse processo necessita acompanhamento Psicanalítico.
Rode Ziembick é Psicanalista e Executiva de Recursos Humanos.